Exercitando a arte de falar mal

... digo, comentar sobre a vida alheia de escritores e afins. A chamada análise literária.
Veja alguns dos temas que em breve serão analisados,
Assinado, Graal.
 
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Pequena reflexão empolada sobre o Parnasianismo (Em breve)

Com direito a rima rica e tudo. (Em breve)
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O que está sendo o gerundismo (Em breve)

Vou estar botando a boca no tuba, porque vai estar fazendo mais barulho.
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Criticando os críticos (Em breve)

Porque ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
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Escolas que só falam da literatura literalmente pertencentes a escolas literárias

Primeiramente, vamos combinar que escola literária é a maior besteira que a imaginação humana foi capaz de inventar.
Não só porque traumatiza os alunos que não conseguem decorar as benditas características de cada escola ou a ordem que tudo aconteceu, mas também porque essas características e ordens são uma grande baboseira.
Já começamos errado quando iniciamos os estudos falando do Trovadorismo, pois os primeiros textos escritos não foram as tais cantigas de amor, amigo, escárnio e maldizer (pode ser birra minha, já que nunca consegui aprender a diferença entre as duas últimas) e, se a definição de “escolas literárias” é “todos os acontecimentos históricos envolvendo a literatura desde a invenção da escrita até os dias atuais”, estamos esquecendo de todos aqueles textos difíceis de ler que são Homero, Virgílio, a Safo safadinha e pior ainda, se esquecem do magnífico livro “A demanda do Graal”, o que acho um insulto sem tamanho!
Depois me vem o Humanismo e o Renascimento, pô, legal que o homem caiu na real em algumas coisas, mas se ver como centro do mundo é, no mínimo, egocêntrico. Além do que foi tudo fachada, já que ninguém parou de usar a Igreja como desculpa para suas peraltices, então de que adiantou? Aliás, considerando que o Renascimento iniciou-se na cidade italiana de Toscana, tenho minhas sinceras dúvidas se não é daqui que se originou a palavra tosco.
Então, segundo a teoria das escolas literárias, logo em seguida vem o Classicismo, no qual dá a impressão que todo mundo fazedor de arte acordou num belo dia e disse: “Viva a Homero, vamos voltar ao passado! Antiguidade Clássica na veia!” e é claro, inventaram o decassílabo! Creio que se Nietzsche soubesse que sua amada (?) época que inventou o decassílabo que viria a servir de pano para a costura em retalhos para o Parnasianismo, teria sido bem mais maluco, se entristeceria deveras.
Chega então o Quinhetismo doutrinando todo mundo, mandando os índios botarem roupas, que indecência é essa, e começam a falar das terras brasileiras, e o olho começa a crescer e o terreno vai sendo preparado para uma futura e próxima esculhambação total maneira de usufruir de tudo que era indígena.
Não bastasse, aparece o Barroco com Padre Vieira com seus discursos lindos - e muito úteis para todos os filólogos - e péssimo para quem quiser fazer pesquisas de usos do português, porque o cara usava tudo, mas no bom sentido, amigo Olavo, não apague essa parte, tá? dizendo que tá certo escravizar os negros mesmo, que eles não tem alma e estamos fazendo um favor enorme em dar a eles o merecido castigo na terra para que não precisem sofrer tudo no céu. Mas não podemos nos esquecer que agora o homem é humano, imagina se não fosse…

Enfim, vem o meu amor platônico: o Arcadismo. Aliás, o amor platônico nasce no Arcadismo, já que fazer poesia árcade no Brasil, olhando para os montes de Belo Horizonte e pensando na Arcádia, vendo uma caipira e a imaginando como musa, vendo um calor insuportável e se sentido num local bucólico, são realmente provas que a imaginação dos poetas árcades brasileiros é platônica em todos os sentidos. Mas há carpe diem, há fugere urbem, há Tiradentes, pobre e laranjinha da história, caindo na arapuca e sendo morto como exemplo aos demais, os verdadeiros mandantes no negócio, que eram humildementes mandados a exílio (vivinhos da Silva, com todos os seus órgãos dentro do corpo e seus pedaços em nenhuma praça pública. Creio que foi aqui também que inventaram o direito dos dentistas e tiradores de dentes.
Senti uma vontade de chorar agora e deve ser porque o assunto é romantismo e eu e meu amigo Olavo estamos sozinho no mundo, né Olavo? , que com suas gerações, indianista, que me vem com aquele livro Iracema, trauma de todos estudantes (não, o negro não existe); depois me vem a ultra romântica que só o nome já se entrega; e a condoreira (Castro Alves! Castro Alves!), bem interessante. Devo confessar que há muitas poesias bonitas, uns livrinhos de histórias suuuuuuuuuper originais, e é bem útil para quem quer impressionar uma namoradinha boba , mas, salvo as boas exceções (que esqueci de dizer, mas há na maioria das escolas aqui), o Romantismo não serve nem para fazer sabão. Sem contar que ainda tem o decassílabo…
Então o homem decide cair na real de vez e cria o Realismo, beleza! vamos falar de coisas reais, vamos deixar o Machado escrever. Ah, não tem graça falar do Realismo, vou falar mal de que?
E, já que é para ser real e não devemos ir contra Darwin e somos todos animais mesmo, vamos lá levar tudo às últimas consequências e criar o Naturalismo, êba, vamos botar o Aluísio para escrever o Cortiço e ser obra obrigatória do vestibular!
Essa parte eu queria pular, mas vamos apenas citar já que estamos aqui para isso: Parnasianismo (cospe, cospe arg), pronto falei.
Já o Simbolismo é, ou melhor, sugere ser aquilo lá que está em suas obras, mas não só o que está lá, mas também o que não está, fazendo com que seja inútil nos atrevermos a entender o que foi dito, já que eles não dizem nada ao mesmo tempo que dizem tudo, simples assim. Aliás, eu até sugiro que a maior sugestão dos Simbolismo é que nós todos temos, no mínimo, um nível de qi 50% menor do que aquele que fez uma obra simbolista.
O pré-modernismo (podem morrer de vergonha) é um jeito que o brasil inventou de entrar com o nome “modernismo”, mesmo ainda sendo escravagista e sendo olho gordo com o lucro que dá não pagar empregado. Mas não se preocupem, porque a Inglaterra tinha o olho gordo voltado para a venda e precisava que comprassem dele, então mandou todo mundo sair da senzala e é isso aí! Quem liga se ainda assim os negros não podem comprar nada da Inglaterra ? O importante é que agora poderemos chamar o que está sendo feito de Modernismo, escola bem locona que foge a todas as definições.
Mas o maior problema mesmo da teoria da escola literária é que ela passa ao aluno a ideia que tudo isso saiu certinho na ordem que tá, e que todos os pertencentes à epoca que tal escola estava em seu auge, fez arte daquela maneira, o que faz o aluno ter uma ideia bem limitada do que é verdadeiramente literatura. Isso tudo só prova o quanto o que nos passam sobre o que é literatura é só parte do que realmente foi, é tudo romantizado para nós, simetricamente dividido, bonitinho, ô coisinha linda do graal que é a literatura, gente! Posso com um negócio desse?
E isso gera um outro problema: mas o que diabos é literatura então?